"Aqueles que abdicam da liberdade
para obter um pouco de segurança temporária
não merecem nem a segurança, nem a liberdade."
[enfim... tinha de o dizer!]
"Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram."
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
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O duo meio americano, meio francês, formado pelas irmãs Sierra e Bianca, está de regresso a Portugal para dois concertos. O primeiro é em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor e promete ser, no mínimo, imperdível.
Afastadas poucos anos após a nascença, quando os pais se separaram – cada um criou uma filha –, Bianca e Sierra Cassady reencontraram-se, em Paris, em 2003, altura em que formaram as CocoRosie. A dupla explora uma atmosfera difícil de definir, que vai do indie rock ao indie electrónico, passando pelo folk, blues e “dream pop”. O seu estilo é, sem dúvida, marcado pela exuberância. As vozes que nos parecem angelicais e inocentes camuflam o verdadeiro significado das letras que, na maioria dos casos, são pouco ingénuas.
Fonte: www.ccvf.pt
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Fui à Feira do Livro e... encontrei lá uma data de coisas estranhas!
Um gato perdido (ou diria que era uma espécie de gato?),
um rapaz que teima em falar sobre pessoas estranhas que vivem num bairro igualmente estranho (e cada vez mas lotado),
um senhor que vendia sonhos em forma de lâmpadas (seriam do Aladino?) e...
um outro que vendia tragédias e derrotas divertidas...!
Cereja em cima do bolo? Sim... Estava lá a águia Vitória... :-)
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Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada.
Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema.
Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.
Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio.
Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol. Lisboa viúva (com lágrimas, com lágrimas)
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
Manuel Alegre /Adriano Correia de Oliveira
[Lembrando este dia]
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Não há uma realidade única, cabo. Há muitas realidades. Não há um mundo único. Há muitos mundos, e todos eles evoluem paralelamente uns aos outros, mundos e antimundos, mundos e mundos-sombra, e cada mundo é sonhado ou imaginado ou escrito por alguém num outro mundo. Cada mundo é a criação de uma mente. (...)
O real e o imaginado são um só. Os pensamentos são reais, mesmo quando pensamos em coisas irreais. Estrelas invisíveis, céu invisível. O som da minha respiração (…). Orações antes de adormecer, os rituais da infância, a gravidade da infância. Se eu morrer antes de acordar. Com que rapidez tudo se vai. Ontem uma criança, hoje um velho e, desde então até agora, quantas batidas de coração, quantos movimentos respiratórios, quantas palavras ditas e ouvidas? Alguém que toque em mim. Põe a tua mão no meu rosto e fala comigo…
In “Homem na Escuridão” – Paul Auster
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