
(Arthur Schopenhauer)
[alguém fica indiferente a esta imagem...?]
"Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram."
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

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Lusofonia
rapariga: s. f., fem. de rapaz; mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.
Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena do café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar o
atlântico para desembarcar no rio de Janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem cafés ao balcão.
in "A Matéria do Poema" - Nuno Júdice
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“Um grito mudo ouvi, ecoando solto pelos vales do meu sonho (terá mesmo sido um sonho?), como grito de lamento que se perde como quem lança flores ao vento…Senti (ou pressenti) teu sofrimento, mesmo na distância física e temporal que nos separa! Sabes..., a vida não tem (mesmo) nada de simples! (já devias saber isso!) O bicho-homem gosta de complicar o que podia ser simples… como se a vida fosse um jogo da glória viciado em que se recua mais que se avança, em que se alguém joga limpo… recua, e se torna cínico… avança! Também eu tenho saudades doutros tempos… da idade da inocência, em que tudo era tão verdadeiro e tão puro (sim, até mesmo os sentimentos)!
Houve tempos em que também pensei que o meu caminho fosse mais fácil, e em alguns momentos fui-o sabendo escolher (ou pensando saber?), mas muitos mais momentos houveram em que tive de aceitar o único caminho que me restava… (na minha ingenuidade, de maneira diversa me iludira).
Sei agora que não é fácil… mesmo nada! (há atalhos na vida, que são tudo menos atalhos). Espoliado que fui, de alguns dos meus sonhos … fui reaprendendo a viver a vida com o "copo meio-cheio”, mantendo ainda a esperança inocente, quase louca, de um menino quando se apaixona pela primeira vez.”
in "Diários Dispersos" - R. Lima
[Por isso, a ti te digo… Coragem! Um "copo meio-cheio" é um pouco diferente de um "copo meio-vazio"! A diferença está na perspectiva que temos da vida.]
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anda aí a circular na net um jogo bem invulgar, mas bastante "didáctico"... ;-)
ao que parece, os criadores do dito jogo, inspiraram-se no acontecimento histórico (pelo menos para mim passou a sê-lo) em que houve alguém com coragem para demonstrar ao maior prepotente do planeta, o que realmente pensa dele... :-D
vai daí... criou-se um joguinho bem engraçado... eheheh
mas a coisa mais curiosa deste jogo, é o facto de Portugal ocupar um respeitável 4º lugar mundial no arremesso do sapatinho (futura modalidade olímpica)...
o "zé tuga", zangado com o Menino Jesus por este não ter deixado muitos presentes no sapatinho na véspera de Natal, aproveita o dito cujo para praticar tiro ao alvo (metaforicamente falando)...
curioso ainda... é estarmos à frente de países como o Paquistão (12º); Irão (28º); Líbano (39º); Palestina (41º); Síria (45º); Iraque (84º); Líbia (90º), Afeganistão (118º)...
até tradicionais aliados americanos ocupam lugares respeitáveis no arremesso do sapatinho: Inglaterra (6º); Espanha (15º); Israel (48º)...
à nossa frente só brasileiros, americanos e turcos... quem diria...? eheheh
nem os criadores do jogo estão á nossa frente! mais um motivo de orgulho para este país!
isto há coisas mesmo engraçadas...
ps - não sou apologista da violência, mas que de vez em quando há quem mereça com um sapato na moleirinha... quem nunca teve essa vontade que atire a primeira pedra... ups!!! que atire o primeiro sapato!
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Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
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