quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Random Thoughts #8

a propósito dos incêndios na Austrália...


"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter e pode ser seguramente afirmado que, quem é cruel com os animais, não pode ser um bom homem."

(Arthur Schopenhauer)


[alguém fica indiferente a esta imagem...?]

terça-feira, fevereiro 17, 2009

uma pérola das Correntes...

Lusofonia

rapariga: s. f., fem. de rapaz; mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena do café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar o
atlântico para desembarcar no rio de Janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem cafés ao balcão.

in "A Matéria do Poema" - Nuno Júdice

uma passagem pela lua...

mais umas Correntes D'Escritas
com algumas certezas (con)firmadas
e algumas surpresas inesperadas...



[e um fim-de-semana muito bonito e inspirador... ]


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

acorrentado...

este ano vou-me acorrentar novamente...

Foto: 2008-02-16


domingo, fevereiro 08, 2009

Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue

"Enganava-se a Rosa-Chá quando pensava que o Gato Malhado vivia solitário e não tinha nada no mundo. Bem ao contrário, ele tinha um mundo de recordações, de doces momentos vividos, de lembranças alegres. Não vou dizer que fosse feliz e não sofresse. Sofria, mas ainda não estava desesperado, ainda se alimentava do que ela lhe havia dado antes. Triste no entanto, porque a felicidade não se pode alimentar apenas das recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro."

in "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: Uma História de Amor" - Jorge Amado

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

o tempo passa a correr...

Rapaz

Não sei como é possível falar desse
rapaz pelo interior
de cuja pele o sol surge antes de o fazer no céu.


in "Poesia Completa 1979-1994" - Luís Miguel Nava



[mais palavras para quê? e sim... sei onde estávamos há exactamente 33 anos atrás... :-D ]


segunda-feira, janeiro 26, 2009

Um grito mudo

“Um grito mudo ouvi, ecoando solto pelos vales do meu sonho (terá mesmo sido um sonho?), como grito de lamento que se perde como quem lança flores ao vento…Senti (ou pressenti) teu sofrimento, mesmo na distância física e temporal que nos separa! Sabes..., a vida não tem (mesmo) nada de simples! (já devias saber isso!) O bicho-homem gosta de complicar o que podia ser simples… como se a vida fosse um jogo da glória viciado em que se recua mais que se avança, em que se alguém joga limpo… recua, e se torna cínico… avança! Também eu tenho saudades doutros tempos… da idade da inocência, em que tudo era tão verdadeiro e tão puro (sim, até mesmo os sentimentos)!

E a felicidade, qual prémio supremo, por onde andará ela? Será apenas para alguns destinados? Porque se torna tão difícil de encontrar? Estará ela apenas acessível aos puros e inocentes que ousaram nunca deixar de sonhar, de se maravilhar com um pôr-do-sol como se fosse o último que vissem, de cheirar uma flor como se fosse o cheiro mais inebriante do mundo, de se apaixonar por alguém como se da primeira vez se tratasse? Estará ela apenas ao alcance de alguém que sabe construir um mundo (ou dois, ou três) … apenas com a força do seu sorriso de criança?

Houve tempos em que também pensei que o meu caminho fosse mais fácil, e em alguns momentos fui-o sabendo escolher (ou pensando saber?), mas muitos mais momentos houveram em que tive de aceitar o único caminho que me restava… (na minha ingenuidade, de maneira diversa me iludira).

Sei agora que não é fácil… mesmo nada! (há atalhos na vida, que são tudo menos atalhos). Espoliado que fui, de alguns dos meus sonhos … fui reaprendendo a viver a vida com o "copo meio-cheio”, mantendo ainda a esperança inocente, quase louca, de um menino quando se apaixona pela primeira vez.”


in "Diários Dispersos" - R. Lima


[Por isso, a ti te digo… Coragem! Um "copo meio-cheio" é um pouco diferente de um "copo meio-vazio"! A diferença está na perspectiva que temos da vida.]

segunda-feira, janeiro 19, 2009

mães...

sabe, senhor paulo, as mães são como lugares de onde deus chega. lugares onde deus está e a partir dos quais pode chegar até nós. porque só através delas nos encontramos aqui. e, por isso, não há mãe alguma que não mereça o céu, porque, em verdade, as mães transportam o céu dentro delas, e multiplicam-no a custo, como um ofício (...)

in "o remorso de baltazar serapião" - valter hugo mãe

sábado, janeiro 03, 2009

que belíssimo perro

ultimamente... muita boa música vinda dos países nórdicos... :-D
e esteve há pouco tempo no Super Bock em Stock, tal como outra belíssima pérola nórdica... Lykke Li



"Glory to the World"
El Perro del Mar


há coisas mesmo curiosas...

anda aí a circular na net um jogo bem invulgar, mas bastante "didáctico"... ;-)
ao que parece, os criadores do dito jogo, inspiraram-se no acontecimento histórico (pelo menos para mim passou a sê-lo) em que houve alguém com coragem para demonstrar ao maior prepotente do planeta, o que realmente pensa dele... :-D

vai daí... criou-se um joguinho bem engraçado... eheheh



mas a coisa mais curiosa deste jogo, é o facto de Portugal ocupar um respeitável 4º lugar mundial no arremesso do sapatinho (futura modalidade olímpica)...
o "zé tuga", zangado com o Menino Jesus por este não ter deixado muitos presentes no sapatinho na véspera de Natal, aproveita o dito cujo para praticar tiro ao alvo (metaforicamente falando)...

curioso ainda... é estarmos à frente de países como o Paquistão (12º); Irão (28º); Líbano (39º); Palestina (41º); Síria (45º); Iraque (84º); Líbia (90º), Afeganistão (118º)...

até tradicionais aliados americanos ocupam lugares respeitáveis no arremesso do sapatinho: Inglaterra (6º); Espanha (15º); Israel (48º)...

à nossa frente só brasileiros, americanos e turcos... quem diria...? eheheh
nem os criadores do jogo estão á nossa frente! mais um motivo de orgulho para este país!
isto há coisas mesmo engraçadas...


ps - não sou apologista da violência, mas que de vez em quando há quem mereça com um sapato na moleirinha... quem nunca teve essa vontade que atire a primeira pedra... ups!!! que atire o primeiro sapato!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

:-D


parabéns...




tão longe da vista
tão perto do coração

terça-feira, dezembro 23, 2008

grão a grão (parte II)


goodfellas


"João do Grão"
(2008 - óleo sobre tela)

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Ho Ho Ho

s/t - Rui C.


Bom Natal e Feliz Ano Novo

domingo, dezembro 14, 2008

Um regresso...

Coimbra - Largo da Portagem
Rui C. (2008)



Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada


Coimbra - Arco Almedina
Rui C. (2008)


Sempre sedutora... saudades!

sábado, dezembro 06, 2008

Se por acaso ouvires esta mensagem

"A Luz"
Rui C. (2008)


Se por acaso ouvires esta mensagem, não finjas que não a ouviste, nem te distraias a olhar as nuvens, ou a falar de outro assunto com quem estiver a teu lado. Se a ouvires, assume que a ouviste. Porque não se pode ao mesmo tempo ouvir e não ouvir.
Há palavras que, uma vez ouvidas, nos mudam para sempre. Devias saber isso, afinal não eras tu mesmo que o dizias? É isso que pretendo, falando: mudar-te.
Se me ouvires, não poderás continuar como és, alguma coisa em ti se transforma e te coloca em movimento. Mesmo que apenas dês, na minha direcção, o menor dos teus passos. Foi isso que sempre disseste. Mas provavelmente esqueceste tudo o que dizias, desde que te foste embora. Passaste por aqui mas partiste, e cortaste atrás de ti todas as amarras. E agora não há nada que me ligue a ti, nenhuma corda, ou cabo, ou fio telefónico. Estamos aliás na era dos telefones sem fios, das ondas de som que andam pelo ar, chegam aos satélites, ao espaço, à espera de serem ouvidas.
No entanto, não sei se me ouves. Se podes, ou queres, ouvir-me, ou se é de todo impossível a minha voz alcançar-te. Talvez a dificuldade não esteja na transmissão da minha voz, não há dificuldades de transmissão nesta era de maravilhas tecnológicas. Talvez a dificuldade, ou a falha, esteja só em ti. Não consigo imaginar o teu rosto. É possível que não tenhas orelhas, nem olhos, nem ouvidos, e o teu rosto seja muito diferente do que imagino. Talvez seja o rosto de um monstro.
Quando penso em ti, é como se tudo fosse fácil, como numa comunicação telepática. Quase sinto o teu olhar sobre mim, quando levanto os olhos. E então nem preciso de palavras, tudo é absoluto e imediato, numa fracção de segundo transmiti-te tudo o que queria dizer-te, e tu captaste.
Mas sei que é puramente imaginação.
Nenhuma nave espacial pousa diante de mim e abre uma porta de luz, de onde tu sais. Se abrir a janela, tudo o que vejo para além dela é a noite.
Na cidade não se vêem as estrelas, o céu é opaco de nevoeiro e fumos. As noites são longas, do outro lado da janela. Longas e vazias. É por isso que por vezes, em noites como esta, em que não consigo dormir e caminho como sonâmbula entre a janela e a porta, penso em ti e te imagino, como se pudesses estar ligado a mim por um fio qualquer. Tudo seria muito fácil, penso, se existisse esse fio. Haveria um nexo, uma finalidade em tudo, haveria um objectivo, que, pelo menos para ti, seria perceptível, mesmo que eu não o compreendesse. Eu estaria, como vês, pronta a aceitar a minha inferioridade, em relação a ti, a admitir que a minha inteligência não alcança o mesmo que a tua, que os teus olhos vêem muito mais longe que os meus. Se houvesse um fio a ligar-nos. Se tu mesmo tivesses atado esse fio.
Eu poderia então aceitar praticamente tudo, mesmo o mal, a loucura, o horror, o absurdo, porque estarias comigo e serias, no fim de contas, responsável. Pelo menos tanto como eu. Ou, provavelmente, mais do que eu.
Sim, a responsabilidade, no fim de contas, seria sobretudo tua. Mas, como eu te aceitaria superior a mim, acreditaria que terias sempre razão, o que quer que fizesses. Mesmo quando me parecesse que agias contra mim e me punhas dificuldades no caminho, como se te desse prazer fazer-me torcer os pes e cair. Até isso, ou qualquer outra coisa, eu aceitaria. Se estivesses comigo.
Até esta pequena mancha na pele eu aceitaria. Este mal, que primeiro começou por ser uma pequena mancha na pele e a que a princípio nem dei importância, pensando que era do excesso do sol, ao lado de um homem que eu amava.
Até perceber que aquela pequena mancha, que depois alastrava, vinha do homem que eu amava, porque eu me tinha deitado com aquele homem que eu amava.
Fiquei em estado de choque muito tempo, como se não conseguisse acordar. Até que acordei e corri ao médico. Para ouvir o que eu suspeitava, o que ele também suspeitava, e ficou de repente muito claro, preto no branco, nas análises.
Está tudo no sangue, e ele não mente, uma gota de sangue é o bastante para que te digam tudo.
Disseram-me, e eu ouvi. Mas não posso guardar só para mim essas palavras, tenho de dividi-las com alguém, desde logo contigo.
Claro que havia também o homem que eu amava, é claro que falámos disso, da culpa dele, porque não me disse, e deveria ter dito, da distância que, a partir daí, se cavou entre nós, pela traição das palavras não ditas.
Mas antes dele, estavas tu, que também me deverias ter protegido e falhaste. Se alguém me traiu, foste primeiro tu. Também eu me deveria ter protegido mais, sei que vais dizer isso, ou sei que dirias, se falasses comigo. Mas proteger-me como? Os preservativos rebentam, ou não sabes disso? Não podes fingir sempre que és alheio a tudo: se um homem que eu amava me traiu, foi porque, primeiro, tu me abandonaste.
Deixaste-me cair na noite, no meio do nevoeiro e do fumo. Devias estar na minha vida, junto de mim, e não estavas. E o que acontece comigo não te importa. Culpa minha? Não, culpa tua. Sei que estou a gritar, e que mesmo assim não me ouves, porque não estás aqui. Se estivesses eu sacudia-te pelos ombros, batia com os punhos nos teus ombros, sufocaria a voz no teu peito, esconderia o rosto nos teus braços. Faz qualquer coisa, gritaria até perder a voz. Faz qualquer coisa por mim.
O meu rosto estaria roxo de cólera e eu continuaria a gritar até ter a certeza de que me ouvias. Porque eu não mereço, tu sabes melhor do que ninguém que não mereço. Justamente agora. Quando tudo se ajeitava na minha vida, que parecia finalmente resolver-se.
Tinha um homem que amava, e um trabalho que me sustentava. O mínimo, dirás tu. Mas quase ninguém tem esse mínimo, é assim o mundo. Vive-se em falta, e em falha. o comum dos mortais vive em falta, e em falha. Toda a gente sabe disso, aparentemente, menos tu. E agora? Agora, como sempre, não te importas, e não moves nem o menor dos teus dedos. Aparentemente, não podes fazer nada por mim. Nunca pudeste. Deixaste-me cair no meio da noite.
Nem sequer me ouves, por muito que eu grite. Nunca vais ouvir esta mensagem. Mas se por acaso a ouvires, Deus, se por acaso ouvires esta mensagem, não afastes de mim o teu rosto: não cortes este fio de palavras que vou estendendo entre mim e ti, porque não me resta mais nada senão este fio imaginário - provavelmente tu não existes e falo sozinha, no nevoeiro e na noite, mas se por acaso existires e ouvires esta mensagem, não cortes o fio, Deus, não cortes este fio de palavras, e fica a escutar-me. Até ao fim.

in "A Mulher Que Prendeu a Chuva" - Teolinda Gersão

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Your Love Alone Is Not Enough


"Your Love Alone Is Not Enough"

Manic Street Preachers



not enough, not enough...

quinta-feira, novembro 20, 2008

:-D


E porque hoje é um happy day...

:-D

Muito obrigado...!


terça-feira, novembro 18, 2008

É bom saber... :-)

Rui C. (2008)

Ao rubro...

O que se pode dizer de um concerto que junta nomes como Rita Red Shoes, Deolinda, Clã e Xutos & Pontapés?

Simplesmente... Fabulástico!!!


Deolinda

Clã

Xutos & Pontapés

 
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