sexta-feira, setembro 28, 2007

Sugestão

Natasha Marsh
(soprano)


Aqui fica uma sugestão... para ouvir nestas tardes e noites de Outono!
Para aquecer o coração... :-)

Album "amour" (2007)
Natasha Marsh


(... e não! Não tenho comissão! lol)




quinta-feira, setembro 27, 2007

Rafael

Dedicado ao (muito) pequenino Rafael...


"A Virgem e o Menino"
Rafael



Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de primavera
eu tive um sonho como uma fotografia:

eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte,
mas era outra vez menino,
a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora,
e a rir de modo a ouvir-se de longe.

Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais
pra fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo
e o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém
soubesse que Ele tinha fugido;
com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino;
e com o terceiro Ele criou
um Cristo eternamente na cruz
e deixou-o pregado na cruz
que há no céu e serve de modelo às outras.

Depois Ele fugiu para o Sol
e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo.
É uma criança bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito,
chapinha nas poças d'água,
colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam,
e toda gente acha graça,
Ele corre atrás das raparigas
que levam as bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.

A mim, Ele me ensinou tudo.
Ele me ensinou a olhar para as coisas.
Ele me aponta todas as cores que há nas flores
e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro
na companhia de tudo que nunca pensamos um no outro.
Vivemos juntos os dois com um acordo íntimo,
como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas
no degrau da porta de casa.
Graves, como convém a um DEUS e a um poeta.
Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos homens.
E Ele sorri, porque tudo é incrível.
Ele ri dos reis e dos que não são reis.
E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo
para dentro da minha casa,
deito-o na minha cama, despindo-o lentamente,
como seguindo um ritual todo humano
e todo materno até Ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma.
Às vezes Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos.
Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos outros,
e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança,
o mais pequeno, pega-me Tu ao colo,
leva-me para dentro a Tua casa.
Deita-me na tua cama.
Despe o meu ser, cansado e humano.
Conta-me histórias caso eu acorde
para eu tornar a adormecer,
e dá-me sonhos Teus para eu brincar.


Alberto Caeiro (poema)
Maria Bethania (adaptação)


quarta-feira, setembro 26, 2007

Leaf Blankets

"Outono em Ponte da Barca" 
Rui C. (2006)


Leaf Blankets


Leaves are falling, soft as snowflakes,
Red and yellow, gold and brown;
The breeze laughs gaily in the treetops,
Shaking all the color down.
Leaves are covering the gardens
As my blanket covers me.
When cold winter comes, the flowers
Will be warm as warm can be.
Irene B. Crofoot

terça-feira, setembro 25, 2007

Anjo És

Foto in www.palavrasaoleu.blogger.com.br

Anjo és tu, que esse poder

Jamais o teve mulher,

Jamais o há-de ter em mim.

Anjo és, que me domina

Teu ser o meu ser sem fim;

Minha razão insolente

Ao teu capricho se inclina,

E minha alma forte, ardente,

Que nenhum jugo respeita,

Covardemente sujeita

Anda humilde a teu poder.

Anjo és tu, não és mulher.

Anjo és. Mas que anjo és tu?

Em tua fronte anuviada

Não vejo a c'roa nevada

Das alvas rosas do céu.

Em teu seio ardente e nu

Não vejo ondear o véu

Com que o sôfrego pudor

Vela os mistérios d'amor.

Teus olhos têm negra a cor,

Cor de noite sem estrela;

A chama é vivaz e é bela,

Mas luz não têm. - Que anjo és tu?
Em nome de quem vieste?

Paz ou guerra me trouxeste

De Jeová ou Belzebu?

Não respondes - e em teus braços

Com frenéticos abraços

Me tens apertado, estreito!...

Isto que me cai no peito

Que foi?... - Lágrima? - Escaldou-me...

Queima, abrasa, ulcera... Dou-me,

Dou-me a ti, anjo maldito,

Que este ardor que me devora

É já fogo de precito,

Fogo eterno, que em má hora

Trouxeste de lá... De donde?

Em que mistérios se esconde

Teu fatal, estranho ser!

Anjo és tu ou és mulher?


Almeida Garrett


segunda-feira, setembro 24, 2007

Correm rios, rios eternos

Foto: Dinis Ponteira - "Fim de Tarde"
(in www.olhares.com)


Correm rios, rios eternos por baixo da janela do meu silêncio. Vejo a outra margem sempre e não sei por que não sonho estar lá, outro e feliz. Talvez porque só tu consolas, e só tu embalas e só tu unges e oficias.

Que missa branca interrompes para me lançar a bênção de te mostrar sendo? Em que ponto ondeado da dança estacas, e o Tempo contigo, para do teu parar fazeres ponte até minha alma e do teu sorriso púrpura do meu fausto?

Cisne de desassossego rítmico, lira de horas imortais, harpa incerta de pesares míticos - tu és a Esperada e a Ida, a que afaga e fere, a que doura de dor as alegrias e coroa de rosas as tristezas.

Que Deus te criou, que Deus odiado pelo Deus que se fez o mundo?

Tu não o sabes, tu não sabes que o não sabes, tu não queres saber nem não saber. Despiste de propósitos a tua vida, nimbaste de irrealidade o teu mostrar-te, vestiste-te de perfeição e de intangibilidade, para que nem as Horas te beijassem, nem os Dias te sorrissem, nem as Noites te viessem pôr a lua entre as mãos para que ela parecesse um lírio.

Desfolha ó meu amor sobre mim pétalas de melhores rosas, de mais perfeitos lírios, pétalas de crisântemos... cheirosas à melodia do seu nome.

E eu morrerei em mim a tua vida, ó Virgem que nenhum abraço espera, que nenhum beijo busca, que nenhum pensamento desflora.

Átrio só átrio de todas as esperanças, Limiar de todos os desejos, Janela para todos os sonhos,... Belveder para todas as paisagens que são floresta nocturna e rio longínquo trémulo do muito luar...

Versos, prosas que se não pensam escrever, mas sonhar apenas.


Fernando Pessoa
-
in "Livro do Desassossego"


domingo, setembro 23, 2007

Açor

Não resisti a colocar esta fotografia!

H2O no Açor - Nelson Vitorino
(in www.olhares.com)



Esta é uma das razões porque gosto de tirar férias no Outono...


Outonal

"Landscape With Four Trees"
Van Gogh (1885)


Outonal


Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…


Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…


Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!


Outono das tardinhas silenciosas,

Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…


Florbela Espanca


sábado, setembro 22, 2007

Finalmente regressaste!

Já estava com saudades...

Foto: .k&p - "Leveza de Luz"
(in www.olhares.com)



Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de Outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certo de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles
(in http://www.pensador.info/p/cancao_de_outono/1/)

domingo, setembro 16, 2007

Asas

Foto: Sérgio P. (in www.olhares.com)

Todos nós somos anjos!
É o que fazemos com as nossas asas que nos diferencia.


"Northfork"

quinta-feira, setembro 13, 2007

Até sempre Amigão

Ricardo

06/05/1974 - 11/09/2007


«Noite Trágica»

O pavor e a angústia andam dançando…
Um sino grita endechas de poentes…
Na meia-noite d´hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!…

Tenho medo da noite!… Padre nosso
Que estais no céu… O que minh´alma teme!
Tenho medo da noite!… Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria dor parece…

Ó noite imensa, ó noite do Calvário,
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não ´squece!

Florbela Espanca



quinta-feira, setembro 06, 2007

Adeus Pavarotti...

Modena, 1935/10/12 - Modena, 2007/09/06


Foto: Andres Leighton/Associated Press

quarta-feira, setembro 05, 2007

Palavras ao vento

Meditative Rose (Salvador Dali)


................................................
Não és real. Para o seres
Não foras, ó flor, tão bela;
Se à mente Deus te revela,
Não te cria o mundo, não.
Vegetas no peito do homem,
Mas não há viçoso prado
Onde te beije embriagado
O sopro da viração.

Júlio Dinis

sábado, setembro 01, 2007

Perfect Day

Gosto tanto, tanto desta música que não resisto a colocar aqui todos os intervenientes e os seus contributos.
Que todos os dias sejam perfeitos... e vividos com simplicidade descrita na letra desta música!


Just a perfect day, drink sangria in the park...
(Lou Reed)

And then later, when it gets dark...
(Bono, of U2)

We go home...
(Sky, of Morcheeba)

Just a perfect day...
(David Bowie)

Feed animals in the zoo...
(
Suzanne Vega)

Then later a movie too, and then home...
(
Elton John)

Oh, it's such a perfect day...
(
Boyzone)

I'm glad I spent it with you...
(Lesley Garrett, opera singer)

Oh, such a perfect day...
(Burning Spear, reggae singer)

You just keep me hanging on...
(
Bono, of U2)

You just keep me hanging on...
(Thomas Allen, opera singer)

(instrumental link)
(Brodsky Quartet)

Just a perfect day...
(Heather Small, of M People)

Problems all left alone...
(Emmylou Harris, country singer)

Weekenders on our own...
(Tammy Wynette, country singer)

It's Such fun...
(Shane McGowan, of The Pogues)

(instrumental link)
(
Sheona White, young musician of the year, 1997)

Just a perfect day...
(Dr John, R&B singer)

You made me forget myself...
(
David Bowie)

I thought I was someone else...
(Robert Cray, blues singer)

Someone good - yeah...
(Huey, of Fun Lovin' Criminals)

Oh, it's such a perfect day...
(Ian Brodie, of Lightning Seeds)

I'm glad I spent it with you...
(Gabrielle )

Oh, such a perfect day...
(Dr John, R&B singer)

You just keep me hanging on...
(Evan Dando, of The Lemonheads)

You must keep me hanging on...
(
Emmylou Harris, country singer)

(instrumental break)
(Courtney Pine, jazz saxophonist) & (BBC Symphony Orch)

You're going to reap just what you sow...
(Brett Anderson, of Suede)

Reap, reap, reap...
(
Visual Ministery Choir)

You're going to reap...
(
Joan Armatrading)

Just what you sow...
(
Laurie Anderson)

Reap, reap, reap...
(Visual Ministery Choir)

You're going to reap just what you sow - yeah...
(Heather Small, of M People)

Reap, reap, reap...
(Visual Ministery Choir)

Oh, you're going to reap just what you sow...
(Tom Jones)

Reap, reap, reap...
(Visual Ministery Choir)

You're going to reap just what you sow - yeah...
(Heather Small, of M People)

Reap, reap, reap what you sow...
(Visual Ministery Choir)

Oh, what a perfect day.
(Lou Reed)


in http://www.onlineweb.com/theones/perfect_day/perfect_day.htm

sexta-feira, agosto 31, 2007

Talvez outro dia...



Perfect Day


Just a perfect day,
Drink sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.

Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
Its such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.

Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Youre going to reap just what you sow,
Youre going to reap just what you sow,
Youre going to reap just what you sow,
Youre going to reap just what you sow...

Lou Reed
(BBC Music Trail)


quinta-feira, agosto 30, 2007

Ilusões...


"O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim. (...)"

Fernando Pessoa - in "Livro do Desassossego"


Enfim... Quem as não tem?
:-/

Quarto Minguante


Lua estranha e enganadora...
Há três dias, clara e triunfante,
Fizeste-me crer em tua oferta sedutora
Mas afinal, me enganaste... És minguante...

RC (2007)

terça-feira, agosto 28, 2007

Minha Lua


Ontem estavas mui gloriosa,
Minha pedra diáfana e preciosa.
Pareceu-me ouvir tua voz silenciosa,
Como uma poesia nostálgica e melodiosa!


RC (2007)

Quer Eu Queira, Quer Não

Chamam-se "Xaile"...
Uma das grandes revelações da música portuguesa dos últimos tempos... e o CD já mora cá em casa. :-D
Definir este grupo? Há quem diga que é "Raízes"!
Eu apenas acho que são três anjos que sabem cantar, tocar e dançar...



"(...)
Tenho um encontro marcado
Dentro do meu coração
Talvez me tenha esquecido
Qu'ele tem sempre razão.
Tenho um tesouro escondido
Dentro do meu coração
Tenho lá escrito este fado
Quer eu queira, quer não."

"Quer Eu Queira, Quer Não" - Xaile (2007)

quinta-feira, agosto 23, 2007

Lava Oculta

Lava Oculta
(Júlio Dinis)


Não me entendes? Não suspeitas
Que esta frieza é fingida?
Não vês, cega, que envolvida
Está nela ardente paixão?
Quando teus olhares evito,
Quando julgas que medito,
Não compreendes que me agito
Em profunda inquietação?


E julgas isto frieza?
Julgas que o meu peito é gelo?
Se o que sinto não revelo,
Julgas que isso é não sentir?
Ai, louca, que assim te iludes;
Um momento que me estudes,
Verás que as tormentas rudes
Me estão no peito a bramir.


Se a mão te cinjo à partida,
Não a sentes vacilante?
Diz, não vês como inconstante
Busco e evito o teu olhar?
Chamas a isto indiferença?
Não é, não, repara, pensa;
É o amor que se condensa
Para mais me devorar.


E tu não sentes… nem podes;
P’ra que os olhos vejam tanto,
E, sob indiferente manto,
Descubram violento amor,
Não, não basta olhar somente;
O que o peito não pressente,
Só quando for rebente
Pode aos olhos ter valor…


E o teu coração… outrora
Esperei que me entendesse;
Julguei que nunca esquecesse
O que na infância nasceu,
E com os olhos no futuro
Caminhei firme e seguro,
E nunca este culto puro
No peito me adormeceu.


Mas tu… essa flor singela
Da afeição que nos unia
Se definhava e morria
Desde que outra flor surgiu:
Cenas da infância, folguedos,
Seus sorrisos, seus segredos,
Passam, como nos olmedos,
A folha que ao chão caiu.


E por isso as esqueceste;
Eu não; que então já no seio
Ocultava com receio
Mais do que infantil amor.
Quando, só, em ti pensava,
E só contigo me achava,
Não te lembras? Já corava,
Nem p’ra mais tinha valor.


Cresci, e esta ideia sempre
Afagava na lembrança;
Sempre, sempre esta esperança,
Sempre, sempre esta ilusão!
Ilusão, sim, era apenas;
Todas as passadas cenas
E recordações amenas
Riscou-tas nova paixão.


Foi uma noite. Esta ideia
Inda a conservo bem viva,
Cada dia mais se aviva
P’ra mais me fazer sentir;
Desde então já não me iludo,
Foi uma noite; vi tudo,
E fiquei gelado, mudo,
Sem esperanças, sem porvir!


Um outro estranho, que importa?
Te falava com meiguice
E às palavras que te disse
Tu sorriste e ele sorriu.
E, desumana, não vias
Que o amigo de outros dias,
De cada vez que sorrias,
Cruéis angústias sentiu!


Ai, noite de insónia, aquela!
Tu calcaras o passado,
Nem talvez nunca pensando
Havias nele como eu;
Quis esquecer-te, vingar-me,
A outro amor entregar-me.
Mas só consegui cansar-me;
Este amor permaneceu.


Até quando? Só Deus sabe.
Comprimido ele floresce,
Mas vive, mas não fenece,
Que já da infância ele vem;
Tu não vês que uma outra chama
Há muito teu seio inflama,
E quando deveras se ama,
Vê-se o amante e mais ninguém?


Bom é pois que não suspeites
Que esta frieza é mentida
Que não vejas que envolvida
Oculta ardente paixão.
Quando teus olhos evito,
Quando julgas que medito,
Nunca saibas que me agito
Em profunda inquietação.


quarta-feira, agosto 22, 2007

Comfortably Numb

Há músicas intemporais...
O melhor concerto em que alguma vez estive presente...
Já lá vão 13 anos e foi quase como se tivesse sido ontem!

Um verdadeiro espectáculo de luz, som, magia e cor!
O filme não faz total justiça à beleza estonteante que foi esta música em particular... principalmente a partir do momento em que uma bola de espelhos gigante fez a sua aparição no meio do estádio
(Sim... o antigo Estádio José de Alvalade... :-/ Foi o único senão!!!)


Pink Floyd (The Division Bell Tour, 1994)


Comfortably Numb

Hello
Is there anybody in there ?
Just nod if you can hear me
Is there anyone at home ?

Come on now
I hear your feeling down
I can ease your pain
And get you on your feet again

Relax
I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts?
There is no pain you are receding
A distant ship smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two ballons
Now I've got that feeling once again
I can't explain, you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb.

I have become comfortably numb.
O.K.
Just a little pinprick
There'll be no more aaaaaaaah!
But you may feel a little sick

Can you stand up?
I do believe it's working, good
That'll keep you going through the show
Come on it's time to go.
There is no pain, you are receding
A distant ship smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child, I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And I have become comfortably numb.

 
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