terça-feira, maio 12, 2009

achados e perdidos

Fui à Feira do Livro e... encontrei lá uma data de coisas estranhas!

Um gato perdido (ou diria que era uma espécie de gato?),
um rapaz que teima em falar sobre pessoas estranhas que vivem num bairro igualmente estranho (e cada vez mas lotado),
um senhor que vendia sonhos em forma de lâmpadas (seriam do Aladino?) e...
um outro que vendia tragédias e derrotas divertidas...!

Cereja em cima do bolo? Sim... Estava lá a águia Vitória... :-)

sexta-feira, maio 08, 2009

O momento de

O momento de

Talvez seja o momento de.
Mesmo sem esperança. E ele escreve:
nenhum impulso para ti
neste espaço deserto.

Ele perscruta entre as pedras e as sombras.
Nada vê. Ignora. Olha.
Que traços são estes,
qual a origem destas palavras nulas?

Ele escreve. O seu desejo é o desejo
de tornar habitável o deserto.


António Ramos Rosa

pedaços de luz

Les Primières Rayons de Lumière sur le Voile de Brume
RC (2009)

Les Jours Tristes




quarta-feira, maio 06, 2009

Canção com Lágrimas e Sol

Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada.

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema.

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio.

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol. Lisboa viúva (com lágrimas, com lágrimas)
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve

Eu canto para ti Lisboa à tua espera...


Manuel Alegre /Adriano Correia de Oliveira

[Lembrando este dia]

quarta-feira, abril 29, 2009

only...



Magnificent!

sábado, abril 25, 2009

Esta é a madrugada


“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”

Sophia de Mello Breyner Andresen


sexta-feira, abril 24, 2009

Onde a luz é feliz e se demora

Faz uma chave, mesmo pequena,
entra na casa.
Consente na doçura, tem dó
da matéria dos sonhos e das aves.

Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela.
Não sejas como a sombra.

Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.

Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.


in "branco no branco" - Eugénio de Andrade


parabéns...
[i'm so happy and speechless]
:-D

segunda-feira, abril 13, 2009

Enquanto o bizarro mundo continua a girar

Não há uma realidade única, cabo. Há muitas realidades. Não há um mundo único. Há muitos mundos, e todos eles evoluem paralelamente uns aos outros, mundos e antimundos, mundos e mundos-sombra, e cada mundo é sonhado ou imaginado ou escrito por alguém num outro mundo. Cada mundo é a criação de uma mente. (...)
O real e o imaginado são um só. Os pensamentos são reais, mesmo quando pensamos em coisas irreais. Estrelas invisíveis, céu invisível. O som da minha respiração (…). Orações antes de adormecer, os rituais da infância, a gravidade da infância. Se eu morrer antes de acordar. Com que rapidez tudo se vai. Ontem uma criança, hoje um velho e, desde então até agora, quantas batidas de coração, quantos movimentos respiratórios, quantas palavras ditas e ouvidas? Alguém que toque em mim. Põe a tua mão no meu rosto e fala comigo…


In “Homem na Escuridão” – Paul Auster

quarta-feira, abril 08, 2009

Regresso...?

Reminiscência

Os instantes que vivo
não são a minha vida:
ela voa perdida
no desenho furtivo
de uma breve asa ferida
daquele pássaro esquivo
que anda desaparecido
e continua à deriva
desde que sou crescido
e perdi o sentido
da verdade mais viva.

E por mais que persiga
esse rasto infinito
não há voz que me diga
se a memória de um grito
é tudo o que me liga
ao primeiro suspiro
dessa ave iludida
cujas asas eu firo
sem saber se consigo
descobrir a saída
rumo àquele céu antigo
onde deixei a vida.

Fernando Pinto do Amaral

quinta-feira, março 19, 2009

Lady of Dreams



Save me a place
In the heart of your hearts
When you think of love
Never forsake me
Wanting and dreaming you
Lying naked beside me
Only a Lady of Dreams
She will bring magic
To sing to your heartstrings
Only a Lady of Dreams
Come alive - you are all
That I desire!!
Something tells me
This is love that surrounds
Only a fool
Without wisdom can see
Blind as I am
In your eyes
My Lady of Dreams

Save me, save me
A place in your heart
tears escape from me
When we're apart
Please dream of me now
My Lady of Dreams
My thought and wishes
Are all that surrounds
Mysteries hold you
Then fly you away
You know you are my life
My Lady of Dreams

Save me a place
In the heart of your heart
When you think of love
Never forsake me
Wanting and dreaming you
Each time I think of you
Lying so naked beside me
Only a Lady of Dreams
Could there be magic
To sing to your Heartstrings
Only a Lady of Dreams
Come alive - you are all
That I desire


Jon Anderson (vocals) & Kitaro

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Random Thoughts #8

a propósito dos incêndios na Austrália...


"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter e pode ser seguramente afirmado que, quem é cruel com os animais, não pode ser um bom homem."

(Arthur Schopenhauer)


[alguém fica indiferente a esta imagem...?]

terça-feira, fevereiro 17, 2009

uma pérola das Correntes...

Lusofonia

rapariga: s. f., fem. de rapaz; mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena do café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar o
atlântico para desembarcar no rio de Janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem cafés ao balcão.

in "A Matéria do Poema" - Nuno Júdice

uma passagem pela lua...

mais umas Correntes D'Escritas
com algumas certezas (con)firmadas
e algumas surpresas inesperadas...



[e um fim-de-semana muito bonito e inspirador... ]


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

acorrentado...

este ano vou-me acorrentar novamente...

Foto: 2008-02-16


domingo, fevereiro 08, 2009

Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue

"Enganava-se a Rosa-Chá quando pensava que o Gato Malhado vivia solitário e não tinha nada no mundo. Bem ao contrário, ele tinha um mundo de recordações, de doces momentos vividos, de lembranças alegres. Não vou dizer que fosse feliz e não sofresse. Sofria, mas ainda não estava desesperado, ainda se alimentava do que ela lhe havia dado antes. Triste no entanto, porque a felicidade não se pode alimentar apenas das recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro."

in "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: Uma História de Amor" - Jorge Amado

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

o tempo passa a correr...

Rapaz

Não sei como é possível falar desse
rapaz pelo interior
de cuja pele o sol surge antes de o fazer no céu.


in "Poesia Completa 1979-1994" - Luís Miguel Nava



[mais palavras para quê? e sim... sei onde estávamos há exactamente 33 anos atrás... :-D ]


segunda-feira, janeiro 26, 2009

Um grito mudo

“Um grito mudo ouvi, ecoando solto pelos vales do meu sonho (terá mesmo sido um sonho?), como grito de lamento que se perde como quem lança flores ao vento…Senti (ou pressenti) teu sofrimento, mesmo na distância física e temporal que nos separa! Sabes..., a vida não tem (mesmo) nada de simples! (já devias saber isso!) O bicho-homem gosta de complicar o que podia ser simples… como se a vida fosse um jogo da glória viciado em que se recua mais que se avança, em que se alguém joga limpo… recua, e se torna cínico… avança! Também eu tenho saudades doutros tempos… da idade da inocência, em que tudo era tão verdadeiro e tão puro (sim, até mesmo os sentimentos)!

E a felicidade, qual prémio supremo, por onde andará ela? Será apenas para alguns destinados? Porque se torna tão difícil de encontrar? Estará ela apenas acessível aos puros e inocentes que ousaram nunca deixar de sonhar, de se maravilhar com um pôr-do-sol como se fosse o último que vissem, de cheirar uma flor como se fosse o cheiro mais inebriante do mundo, de se apaixonar por alguém como se da primeira vez se tratasse? Estará ela apenas ao alcance de alguém que sabe construir um mundo (ou dois, ou três) … apenas com a força do seu sorriso de criança?

Houve tempos em que também pensei que o meu caminho fosse mais fácil, e em alguns momentos fui-o sabendo escolher (ou pensando saber?), mas muitos mais momentos houveram em que tive de aceitar o único caminho que me restava… (na minha ingenuidade, de maneira diversa me iludira).

Sei agora que não é fácil… mesmo nada! (há atalhos na vida, que são tudo menos atalhos). Espoliado que fui, de alguns dos meus sonhos … fui reaprendendo a viver a vida com o "copo meio-cheio”, mantendo ainda a esperança inocente, quase louca, de um menino quando se apaixona pela primeira vez.”


in "Diários Dispersos" - R. Lima


[Por isso, a ti te digo… Coragem! Um "copo meio-cheio" é um pouco diferente de um "copo meio-vazio"! A diferença está na perspectiva que temos da vida.]

segunda-feira, janeiro 19, 2009

mães...

sabe, senhor paulo, as mães são como lugares de onde deus chega. lugares onde deus está e a partir dos quais pode chegar até nós. porque só através delas nos encontramos aqui. e, por isso, não há mãe alguma que não mereça o céu, porque, em verdade, as mães transportam o céu dentro delas, e multiplicam-no a custo, como um ofício (...)

in "o remorso de baltazar serapião" - valter hugo mãe

sábado, janeiro 03, 2009

que belíssimo perro

ultimamente... muita boa música vinda dos países nórdicos... :-D
e esteve há pouco tempo no Super Bock em Stock, tal como outra belíssima pérola nórdica... Lykke Li



"Glory to the World"
El Perro del Mar


há coisas mesmo curiosas...

anda aí a circular na net um jogo bem invulgar, mas bastante "didáctico"... ;-)
ao que parece, os criadores do dito jogo, inspiraram-se no acontecimento histórico (pelo menos para mim passou a sê-lo) em que houve alguém com coragem para demonstrar ao maior prepotente do planeta, o que realmente pensa dele... :-D

vai daí... criou-se um joguinho bem engraçado... eheheh



mas a coisa mais curiosa deste jogo, é o facto de Portugal ocupar um respeitável 4º lugar mundial no arremesso do sapatinho (futura modalidade olímpica)...
o "zé tuga", zangado com o Menino Jesus por este não ter deixado muitos presentes no sapatinho na véspera de Natal, aproveita o dito cujo para praticar tiro ao alvo (metaforicamente falando)...

curioso ainda... é estarmos à frente de países como o Paquistão (12º); Irão (28º); Líbano (39º); Palestina (41º); Síria (45º); Iraque (84º); Líbia (90º), Afeganistão (118º)...

até tradicionais aliados americanos ocupam lugares respeitáveis no arremesso do sapatinho: Inglaterra (6º); Espanha (15º); Israel (48º)...

à nossa frente só brasileiros, americanos e turcos... quem diria...? eheheh
nem os criadores do jogo estão á nossa frente! mais um motivo de orgulho para este país!
isto há coisas mesmo engraçadas...


ps - não sou apologista da violência, mas que de vez em quando há quem mereça com um sapato na moleirinha... quem nunca teve essa vontade que atire a primeira pedra... ups!!! que atire o primeiro sapato!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

:-D


parabéns...




tão longe da vista
tão perto do coração

terça-feira, dezembro 23, 2008

grão a grão (parte II)


goodfellas


"João do Grão"
(2008 - óleo sobre tela)

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Ho Ho Ho

s/t - Rui C.


Bom Natal e Feliz Ano Novo

domingo, dezembro 14, 2008

Um regresso...

Coimbra - Largo da Portagem
Rui C. (2008)



Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada


Coimbra - Arco Almedina
Rui C. (2008)


Sempre sedutora... saudades!

sábado, dezembro 06, 2008

Se por acaso ouvires esta mensagem

"A Luz"
Rui C. (2008)


Se por acaso ouvires esta mensagem, não finjas que não a ouviste, nem te distraias a olhar as nuvens, ou a falar de outro assunto com quem estiver a teu lado. Se a ouvires, assume que a ouviste. Porque não se pode ao mesmo tempo ouvir e não ouvir.
Há palavras que, uma vez ouvidas, nos mudam para sempre. Devias saber isso, afinal não eras tu mesmo que o dizias? É isso que pretendo, falando: mudar-te.
Se me ouvires, não poderás continuar como és, alguma coisa em ti se transforma e te coloca em movimento. Mesmo que apenas dês, na minha direcção, o menor dos teus passos. Foi isso que sempre disseste. Mas provavelmente esqueceste tudo o que dizias, desde que te foste embora. Passaste por aqui mas partiste, e cortaste atrás de ti todas as amarras. E agora não há nada que me ligue a ti, nenhuma corda, ou cabo, ou fio telefónico. Estamos aliás na era dos telefones sem fios, das ondas de som que andam pelo ar, chegam aos satélites, ao espaço, à espera de serem ouvidas.
No entanto, não sei se me ouves. Se podes, ou queres, ouvir-me, ou se é de todo impossível a minha voz alcançar-te. Talvez a dificuldade não esteja na transmissão da minha voz, não há dificuldades de transmissão nesta era de maravilhas tecnológicas. Talvez a dificuldade, ou a falha, esteja só em ti. Não consigo imaginar o teu rosto. É possível que não tenhas orelhas, nem olhos, nem ouvidos, e o teu rosto seja muito diferente do que imagino. Talvez seja o rosto de um monstro.
Quando penso em ti, é como se tudo fosse fácil, como numa comunicação telepática. Quase sinto o teu olhar sobre mim, quando levanto os olhos. E então nem preciso de palavras, tudo é absoluto e imediato, numa fracção de segundo transmiti-te tudo o que queria dizer-te, e tu captaste.
Mas sei que é puramente imaginação.
Nenhuma nave espacial pousa diante de mim e abre uma porta de luz, de onde tu sais. Se abrir a janela, tudo o que vejo para além dela é a noite.
Na cidade não se vêem as estrelas, o céu é opaco de nevoeiro e fumos. As noites são longas, do outro lado da janela. Longas e vazias. É por isso que por vezes, em noites como esta, em que não consigo dormir e caminho como sonâmbula entre a janela e a porta, penso em ti e te imagino, como se pudesses estar ligado a mim por um fio qualquer. Tudo seria muito fácil, penso, se existisse esse fio. Haveria um nexo, uma finalidade em tudo, haveria um objectivo, que, pelo menos para ti, seria perceptível, mesmo que eu não o compreendesse. Eu estaria, como vês, pronta a aceitar a minha inferioridade, em relação a ti, a admitir que a minha inteligência não alcança o mesmo que a tua, que os teus olhos vêem muito mais longe que os meus. Se houvesse um fio a ligar-nos. Se tu mesmo tivesses atado esse fio.
Eu poderia então aceitar praticamente tudo, mesmo o mal, a loucura, o horror, o absurdo, porque estarias comigo e serias, no fim de contas, responsável. Pelo menos tanto como eu. Ou, provavelmente, mais do que eu.
Sim, a responsabilidade, no fim de contas, seria sobretudo tua. Mas, como eu te aceitaria superior a mim, acreditaria que terias sempre razão, o que quer que fizesses. Mesmo quando me parecesse que agias contra mim e me punhas dificuldades no caminho, como se te desse prazer fazer-me torcer os pes e cair. Até isso, ou qualquer outra coisa, eu aceitaria. Se estivesses comigo.
Até esta pequena mancha na pele eu aceitaria. Este mal, que primeiro começou por ser uma pequena mancha na pele e a que a princípio nem dei importância, pensando que era do excesso do sol, ao lado de um homem que eu amava.
Até perceber que aquela pequena mancha, que depois alastrava, vinha do homem que eu amava, porque eu me tinha deitado com aquele homem que eu amava.
Fiquei em estado de choque muito tempo, como se não conseguisse acordar. Até que acordei e corri ao médico. Para ouvir o que eu suspeitava, o que ele também suspeitava, e ficou de repente muito claro, preto no branco, nas análises.
Está tudo no sangue, e ele não mente, uma gota de sangue é o bastante para que te digam tudo.
Disseram-me, e eu ouvi. Mas não posso guardar só para mim essas palavras, tenho de dividi-las com alguém, desde logo contigo.
Claro que havia também o homem que eu amava, é claro que falámos disso, da culpa dele, porque não me disse, e deveria ter dito, da distância que, a partir daí, se cavou entre nós, pela traição das palavras não ditas.
Mas antes dele, estavas tu, que também me deverias ter protegido e falhaste. Se alguém me traiu, foste primeiro tu. Também eu me deveria ter protegido mais, sei que vais dizer isso, ou sei que dirias, se falasses comigo. Mas proteger-me como? Os preservativos rebentam, ou não sabes disso? Não podes fingir sempre que és alheio a tudo: se um homem que eu amava me traiu, foi porque, primeiro, tu me abandonaste.
Deixaste-me cair na noite, no meio do nevoeiro e do fumo. Devias estar na minha vida, junto de mim, e não estavas. E o que acontece comigo não te importa. Culpa minha? Não, culpa tua. Sei que estou a gritar, e que mesmo assim não me ouves, porque não estás aqui. Se estivesses eu sacudia-te pelos ombros, batia com os punhos nos teus ombros, sufocaria a voz no teu peito, esconderia o rosto nos teus braços. Faz qualquer coisa, gritaria até perder a voz. Faz qualquer coisa por mim.
O meu rosto estaria roxo de cólera e eu continuaria a gritar até ter a certeza de que me ouvias. Porque eu não mereço, tu sabes melhor do que ninguém que não mereço. Justamente agora. Quando tudo se ajeitava na minha vida, que parecia finalmente resolver-se.
Tinha um homem que amava, e um trabalho que me sustentava. O mínimo, dirás tu. Mas quase ninguém tem esse mínimo, é assim o mundo. Vive-se em falta, e em falha. o comum dos mortais vive em falta, e em falha. Toda a gente sabe disso, aparentemente, menos tu. E agora? Agora, como sempre, não te importas, e não moves nem o menor dos teus dedos. Aparentemente, não podes fazer nada por mim. Nunca pudeste. Deixaste-me cair no meio da noite.
Nem sequer me ouves, por muito que eu grite. Nunca vais ouvir esta mensagem. Mas se por acaso a ouvires, Deus, se por acaso ouvires esta mensagem, não afastes de mim o teu rosto: não cortes este fio de palavras que vou estendendo entre mim e ti, porque não me resta mais nada senão este fio imaginário - provavelmente tu não existes e falo sozinha, no nevoeiro e na noite, mas se por acaso existires e ouvires esta mensagem, não cortes o fio, Deus, não cortes este fio de palavras, e fica a escutar-me. Até ao fim.

in "A Mulher Que Prendeu a Chuva" - Teolinda Gersão

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Your Love Alone Is Not Enough


"Your Love Alone Is Not Enough"

Manic Street Preachers



not enough, not enough...

quinta-feira, novembro 20, 2008

:-D


E porque hoje é um happy day...

:-D

Muito obrigado...!


terça-feira, novembro 18, 2008

É bom saber... :-)

Rui C. (2008)

Ao rubro...

O que se pode dizer de um concerto que junta nomes como Rita Red Shoes, Deolinda, Clã e Xutos & Pontapés?

Simplesmente... Fabulástico!!!


Deolinda

Clã

Xutos & Pontapés

terça-feira, novembro 11, 2008

Nostalgias

sei onde estava há (exactamente) dez anos atrás...
como o tempo passa...
trim... trim...
sim...? foi hoje!
já? sim...
considerem-me a caminho!

[a very beautiful day]
sei onde estava...
:-D

domingo, novembro 09, 2008

Outono

"Chegam melancolias"
Rui C. (2008)



O Outono


O Outono vem vindo, chegam melancolias,

cavam fundo no corpo,

instalam-se nas fendas; às vezes

por aí ficam com a chuva

apodrecendo;

ou então deixam marcas, as putas,

difíceis de apagar, de tão negras,

duras.



in "O Outro Nome da Terra"

Eugénio de Andrade



sexta-feira, outubro 17, 2008

Imitação de Rilke

Rui C. (2008) - Sem título


Imitação de Rilke


Alguém que me espia do fundo da noite
Com olhos imóveís brilhando na noite
me quer.

Alguém que me espia do fundo da noite
(Mulher que me ama, perdida da noite?)
Me chama.

Alguém que me espia do fundo da noite
(És tu, Poesia, velando na noite?)
Me quer.

Alguém que me espia do fundo da noite
(Também chega a Morte dos ermos da noite…)
Quem é?


Vinicius de Moraes - in 'Antologia Poética'

domingo, setembro 14, 2008

Leading the Change


you can hoping for the change


or

you can lead the change



Sugestão #9


:-)



"Our Love Goes Deeper Than This"
Duke Special

(with Neil Hannon)

quinta-feira, setembro 11, 2008

...





saudades





quarta-feira, setembro 10, 2008

Random Thoughts #7




No caminho do ser

meu gozo é me perder


(Mia Couto)


Sugestão #8






(...)
But I will run until my feet no longer run no more
And I will kiss until my lips no longer feel no more
And I will love until my heart it ache
And I will love until my heart it breaks
And I will love until there's nothing more to live for

(...)

"Run" - Amy MacDonald



Viciante...


Amy MacDonald

Sugestão #7

E como foi uma ausência prolongada, venho cheio de sugestões...

Um filme espectacular...
Uma banda sonora esplêndida!
E uma história (de amor) magnífica!

A Guy and a Girl in Dublin...
(oh Dublin)




"Miluju Tebe"
(Wherever you are)

Oito...

Já com uns dias de atlaso...
mas eu sei que és compleensivo...
E vão oito!!!

Rui C. (2008)


Palabéns "Lafael"!!
Miss you!

Back again...

De volta à actividade... :-)
Respondendo aos mails dos fãs (não sabia que eram assim tantos) e que entupiram a caixa de correio deste blog...
É isso mesmo, andei meio perdido... ;-)
Aí está a prova.



:-)


terça-feira, agosto 26, 2008

Uma ligeira sensação de...


tens a certeza que... é por ali?



não... mas vais ter de ser tu a descobri-lo!



já começa a ser um pouquinho déjà vu...



Fotos: Paulo Silva; Wilson Hurst ; Miriam


segunda-feira, agosto 11, 2008

Retrato

Oh L'Amour - Rui C. (2005)


Retrato

Um silêncio, um olhar, uma palavra:
Nasceste assim na minha vida,
Inesperada flor de aroma denso,
Tão casual e breve…

Já te visionara no meu sonho,
Imagem de segredo esparsa ao vento
Da noite rubra, delicada, intacta.
E pressentira teu hálito na sombra
Que minhas mãos desenham, inquietas.

Existias em mim… O teu olhar
Onde cintila, pura, a madrugada,
Guardara-o no meu peito, ó invisível,
Flutuante apelo das raízes
Que teimam em prender-te, minha vida!


Luís Amaro


sexta-feira, agosto 08, 2008

Divagações virtuais

Foto: daqui

08-08-08


- Sabes que dia é hoje?
- ... Sexta?!?
- Não... Não o dia da semana , mas o dia em si...
- Oito... mas porquê? Por causa início dos Jogos Olímpicos?
- Ainda não reparaste? É um "dia mágico"...
- ?!?!
- 08-08-08!!!
- E...?
- Sabias que na cultura chinesa, o número "oito" é significado de prosperidade?
- Daí, presumo ser o teu preferido...
- [lol] Por acaso... mas não por essas razões! Acho piada aos números e simpatizo bastante com o "oito"... My lucky number! Quando era miúdo achava piada às pessoas que marcavam casamentos em "dias mágicos" e sempre achei que num dia mágico a "oitos" seria mais engraçado...
- As coisas de que te lembravas... Eras mesmo tonto! :) E na altura pensavas que podias vir a casar num dia como o de hoje...?
- :) E tu não tens um número preferido?
- Mas ainda não me disseste o porquê de gostares do "oito"... Muita gente gosta do "sete" por ser o número da sorte!
- O "oito" é um infinito... gosto de coisas que durem!
- Como uma relação... ou um casamento?
- Ai essa ironia...
- Achas que é ironia? Hoje em dia as coisas são tão fugazes... lábeis... Nós mulheres, de uma maneira geral, prezamos as coisas duradouras, mas hoje em dia as coisas estão tão difíceis...
- Como terá dito alguém: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem." Achas que é o lema actual?
- É e não é! Acho que viver com intensidade é bom, mas não é tudo! Acho que hoje em dia se vive numa sociedade de consumo imediato: Fast-food, Fast-love... as pessoas confundem paixão e amor! Querem que a paixão, a excitação e o empolgamento durem para sempre, mas...
- ...isso, naturalmente, não acontece!
- Há que saber fazer a transição da paixão para o amor... Saber viver com serenidade, aceitar as diferenças, fazer cedências... aceitar também aquelas "pequeninas" coisas que até se acha piada ao princípio, mas que nos vão secretamente irritando... Enfim..., viver o amor!
- Acho que é isso mesmo...
- Sabes o que o meu ex teve a lata de me dizer antes de me deixar?
- ...
- ... Que eu tinha sido o amor da sua vida, mas que não tinha sido a paixão da vida dele... No dia seguinte fez duas malas e abalou porta fora!!!
- Sem mais?
- Sem mais... Eu já suspeitava que ele andava já atrás de outra! Veio a confirmar-se mais tarde!
- Acho que ele nunca te amou de verdade... :(
- Ele nunca me aceitou como sou, mas eu tinha de aceitá-lo sem reservas... Depois do que vivi com ele nos últimos tempos, acho que vou ficar melhor sozinha! Pelo menos durante uns tempos. Pode ser que depois até me apareça um sapo pelo caminho...
- Vê lá se não te casas com um gajo da EMEL... [lol]
- Só se for para me desbloquear o carro quando o estacionar em cima dos passeios!
- tss tss
- Mas como começou esta conversa?
- Não te lembras? Foi por causa de um "oito"... :$
- Xiii... Que horas são?
- Oito e oito... :)
- Acho que tenho de ir. De caminho, vou à procura do Cocas!
- [lol]


sexta-feira, agosto 01, 2008

E vão sete...

:-)

Palabéns !!!




quinta-feira, julho 31, 2008

Palavras ao Vento














Foto: L.Ag


Nos meus lugares de silêncio
Os dias são plenos de espaço
E em todos te sorrio
Na esperança que as palavras
Que carrego comigo
Não sejam apenas sangue
Mas também como marés
Que beijam as praias
Com ósculos de espuma...


"Palavras Desgarradas" - R. Lima

quinta-feira, julho 24, 2008

Promessa?




Mercy - Duffy


Flying...





Viva La Vida or Death
and All His Friends - Coldplay


domingo, julho 20, 2008

My mind is not right

My mind is not right...
...and my right ear too :-)

But it was a ...

The National
Rui C. (2008)

quinta-feira, julho 17, 2008

10...9...8...7...6...5...4...3...2...


Havia um homem que corria...

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.
O orvalho de muita manhã.

Corria de noite, como no meio da alegria,

pelo orvalho parado da noite.
Luzia no orvalho. Levava uma flecha

pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado

loucamente

por um caçador de que nada sabia.

E era pelo orvalho dentro.

Brilhava.


(...)


Pelo orvalho dentro.

De dia. De noite.
A sua cara batia nas candeias.

Batia nas coisas gerais da manhã.
Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.

Tomava alegria no pensamento
Do orvalho. Corria.


(...)

- como no meio do orvalho o amor é total.

Havia um homem que ficou deitado

com uma flecha na fantasia.

A sua água era antiga. Estava

tão morto que vivia unicamente.

Dentro dele batiam as portas, e ele corria

pelas portas dentro, de dia, de noite.

Passava para todos os corpos.

Como em alegria, batia nos olhos das ervas

que fixam estas coisas puras.

Renascia.



Herberto Helder - "Elegia Múltipla, III"
in "Ou o Poema Contínuo"

quarta-feira, julho 09, 2008

Abraçonhando


Sonhei... que daqui te abraçava, eterna e ternamente... a ti cidade bela, minha amante... minha feiticeira!

Rui C. (2008)

sábado, julho 05, 2008

Jumping...





Does It Offend You, Yeah? - Epic Last Song

Quase...



Ainda pior que a convicção do não
e a incerteza do talvez
é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda,
que me entristece, que me mata
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e frieza dos sorrisos,na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão;
pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor
não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando,
vivendo que esperando porque,
embora quem quase morre esteja vivo,

quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal Batista da Silva
(A autoria inicial do texto era atribuída a Luís Fernando Veríssimo,
mas... o escritor já revelou que não)


quarta-feira, julho 02, 2008

Porto

Ex-libris da "Inbicta"

Fotos: Rui C. (Jun 2008)


Eu e as minhas gaffes...
Pedir
Bicas em vez de Cimbalinos,
Mil-folhas em vez de Napoleões,
Imperiais em vez de Finos...

Tss Tss... Falta de treino... :-/
Mais parecem erros de aprendiz!
Estou mesmo
Azelha...
ou será
Trengo que se diz?
:-D


Toca a "Rufar"...


Concerto de Rufus Wainright em Famalicão

Interessante...
Mas esperava que tivesse sido melhor...

Pontos altos? O seu humor corrosivo/indiscreto e também a inevitável Hallelujah... (a da BSO do Shrek...) lol


2008/06/28

terça-feira, julho 01, 2008

6 mesinhos :-D

É obra... miúdo! :-)


quinta-feira, junho 26, 2008

Random Thoughts #6


"Sonhar é um modo de mentir à vida, uma vingança contra um destino que é sempre tardio e pouco."


in "Venenos de Deus, Remédios do Diabo"- Mia Couto

Arrepiante

Foi há quatro dias e já estou com saudades... Começou em Sol e era para ter terminado em Solitude! Não acabou...


Manhã cinzenta... faz-me chorar
a chuva lembra o teu olhar
As folhas mortas
caem no chão,
a dor aperta no coração...
Quanto eu não daria

para poder voltar atrás
Volta pró meu peito
daqui não saias mais...
(...)



Voltar
- Rodrigo Leão


quinta-feira, junho 19, 2008

Random Thoughts #5

Carregamos um mar na alma!


Por isso... ora enche, ora vaza...


E tem a cor variável do céu


E é salgada quando chora...



(Adaptação de algo que estava escrito numa parede)

sexta-feira, junho 13, 2008

Uma homenagem....

A Cidade
Vieira da Silva


"Penso às vezes no belo que seria poder, unificando os meus sonhos, criar-me uma vida contínua, sucedendo-se, dentro do decorrer de dias inteiros, com convivas imaginários com gente criada, e ir vivendo, sofrendo, gozando essa vida falsa. Ali me aconteceriam desgraças; grandes alegrias ali cairiam sobre mim. E nada disso seria real. Mas teria tudo uma lógica soberba, sua; seria tudo segundo um ritmo de voluptuosa falsidade, passando tudo numa cidade feita da alma, perdida até [ao] cais à beira de um comboio calmo, muito longe dentro de mim, muito longe... E tudo nítido, inevitável, como na vida exterior, mas estética de Norte a Sul."

in Livro do Desassossego
Bernardo Soares (Fernando Pessoa)

 
eXTReMe Tracker
eXTReMe Tracker