sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Onde tudo começa e onde tudo acaba

Uma exposição original de Arte Pop...
"Love & Numbers" de Robert Indiana


Amor...
Onde tudo começa...

Amor - Robert Indiana
(Praça Marquês de Pombal)


Ou o fascínio dos números...
No início era o Verbo!

One - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)


A eterna procura... A dois!

Two - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)


A felicidade... da multiplicação...

Three - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)

Quadratura!

Four - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)


As estrelas...

Five - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)


Devil number... :-(

Six - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)


Lucky number! Not mine!
Alguma magia...!

Seven - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)


My lucky number.
Nunca acaba... o "número-infinito"!

Eight - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)

Noves fora...

Nine - Robert Indiana
(Av. da Liberdade)

... Nada!
O Santo Graal dos Números!

Zero - Robert Indiana
(Restauradores)


A eterna demanda!

Love - Robert Indiana
(Rossio)

Deviam ser apenas estas as paredes/muros da nossa vida... Love Wall!

Love Wall - Robert Indiana
(Rossio)


Love! ... e onde tudo acaba!

Imperial Love - Robert Indiana
(Rossio)


Fotos: R. Coelho (2008)


Interessante a coincidência! Uma viagem através da Liberdade, começando no Amor e acabando nele mesmo...

Em exposição até ao final do mês.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Último Reduto


Ultimo Reduto

Meu coração é bom naturalmente.
Gosta do mar, da terra e das crianças.
Bate uma vida inteira sem mudanças,
Se ninguém o magoar.
No seu calor, é quente
Qualquer amor que o venha visitar.

Fonte dum rio que dá volta ao corpo
Da humanidade,
Nunca, em nenhuma idade,
Empobreceu a força do caudal!
Generosa, fecunda e permanente,
A vermelha corrente
Regou sempre a secura do areal.

E querem duvidar desta certeza!
Querem que uma represa
De amargura
Seja a vil sepultura
Dum abraço que sempre se alargou!
Querem que a noite da desilusão
Se dobre sobre cada pulsação
Da onda que a ternura levantou!

Alto ladrões do sol da primavera!
O que querem roubar,
é uma flor que supera
O fruto !
Uma presença tão familiar
Que nos deixa de luto
Se faltar.


Miguel Torga - "Cântico do Homem"

terça-feira, janeiro 29, 2008

Sonhando...

Sonhando...

É noite pura e linda. Abro a minha janela
E olho suspirando o infinito céu,
Fico a sonhar de leve em muita coisa bela
Fico a pensar em ti e neste amor que é teu!


D’olhos fechados sonho. A noite é uma elegia
Cantando brandamente um sonho todo d’alma
E enquanto a lua branca o linho bom desfia
Eu sinto almas passar na noite linda e calma.


Lá vem a tua agora… Numa carreira louca
Tão perto que passou, tão perto à minha boca
Nessa carreira doida, estranha e caprichosa


Que a minh’alma cativa estremece, esvoaça
Para seguir a tua, como a folha de rosa
Segue a brisa que a beija… e a tua alma passa!…


Florbela Espanca

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Cartas


Cartas


Há cartas e cartas!

Há cartas de amizades, paixões e amores,
Outras de obtusos e geométricos rigores.
Há cartas sóbrias, outras alegres... às cores,
E há as carregadas de tristeza e dolores.

Há cartas que nos fazem vibrar e voar...
Outras com contas e contas p’ra pagar.
Há cartas que nos fazem
rir e sonhar,
E há as que nunca deviam chegar…

Há cartas e cartas…


Rodrigo Lima - Poesias Avulsas

quinta-feira, janeiro 24, 2008

:'-(


Pois é! Esgotaram... :'-(

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Parei as Águas do Meu Sonho

Rays of Light Through Cloud
(bovitz.com)


Parei as Águas do Meu Sonho


Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...

Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
porque insisto em te imaginar?

Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Cecília Meireles


Crepúsculos

Crepúsculo - José Luis Gonzalez
(www.brilloestelar.com)


"Para quê olhar para os crepúsculos se tenho em mim milhares de crepúsculos diversos - alguns dos quais que o não são - e se, além de os olhar dentro de mim, eu próprio os sou, por dentro? "

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

segunda-feira, janeiro 21, 2008

A um ti que eu inventei...

Solitária II - António Lança


A Um Ti Que Inventei

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança

um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,

um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura

como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.


António Gedeão




domingo, janeiro 20, 2008

Árvore


Árvore, árvore. Um dia serei árvore.
Com a maternal cumplicidade do verão.
Que pombos torcazes
anunciam.

Um dia abandonarei as mãos
ao barro ainda quente do silêncio,
subirei pelo céu,
às árvores são consentidas coisas assim.

Habitarei então o olhar nu,
fatigado do corpo, esse deserto
repetido nas águas,
enquanto a bruma é sobre as folhas

que pousa as mãos molhadas.
E o lume.


Eugénio de Andrade

domingo, janeiro 13, 2008

Scenic World

Há músicas realmente contagiantes...
A menina dança...?




Scenic World


the lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade

when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking


Beirut

Who Are U?




Who Are U?

Ever since I saw you
I want to hold you
Like you were the one

It sees right through me
A bullet it comes and takes me
And I love you I love you
I want you but I fear you

Who are u?
Who are u?

Ever since I saw you
I want to hold you
Like you were the one

Your feet rest on my shoes
I sing this song for you
Just to see you smile

And I love you I love you
I love you but I fear you

Who are u?
Who are u?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

And I love you I love you
I want you but I fear you

Who are u?
who are you?(x4)

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

For how long
How strong do I still have to be?



David Fonseca

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Palavras de Cal


"Aproximei-me do rio, da árvore velha e sentei-me. Passaram instantes em que o esperei, em que imaginei que ele pudesse não vir, em que o esperei a imaginar que ele podia não vir. O rio continuava o êxodo das coisas belas. Havia águas que eram crianças e que vinham para diante dos meus pés e que me diziam palavras frágeis que eu ainda não entendia, lamentos, lágrimas que eu ainda não entendia. Senti uma mão tocar-me no ombro. Voltei-me e vi o sol. Perguntou posso sentar-me? Sentimos a presença um do outro. O rio sentiu a nossa presença. O meu olhar ia com o rio. Havia uma aragem que trazia a água, que trazia o fresco da água. Senti os seus dedos no meu pescoço, na minha face, nos meus cabelos. Virei-me para ele. O seu rosto aproximou-se. Os seus lábios aproximaram-se lentamente."

excerto de "A Víúva Junto ao Rio"
in "Cal" - José Luís Peixoto



Idade em que os afectos estão mais amadurecidos, a velhice acaba por ser uma viagem muitas vezes vivida em ruidosa solidão, na proximidade de um fim que se quer longe e que se tenta fintar, "tornando-se a criança"... Viagem pontualmente polvilhada de personagens "menos velhas" que olham os "velhos" mas não os vêem, que os ouvem mas não os escutam...
"Cal" é um conjunto de viagens às vivências da velhice. Viagens às vezes trágicas, outras melancólicas ou até... cheias de ternura! É bom descobrir autores que nos fazem "Sentir"... e cuja escrita é uma verdadeira lufada de ar fresco.


"(...)
- Estes campos não são nada pequenos. Não admira que, às vezes a gente se senta tão sozinhos.
- Eu acho que não é por os campos serem grandes. É porque a gente já vimos tanta coisa. A gente pára-se a olhar para estes campos e distinguimos na terra uma pequena parte das coisas todas que já vimos, e depois, quando voltamos a olhar, não está lá nada. Está tudo vazio. Por isso é que a gente se sente sozinhos às vezes.
(...)"

excerto de "À Manhã"
in "Cal" - José Luís Peixoto


terça-feira, janeiro 08, 2008

...



A Rainha


Proclamei-te rainha.

Há-as mais altas do que tu, mais altas.

Há-as mais puras do que tu, mais puras.
Há-as mais belas do que tu, mais belas.

Mas tu és a rainha.


Quando vais pela rua,

ninguém te reconhece.
Ninguém vê a tua coroa de cristal, ninguém repara
na alfombra de ouro rubro
que pisas ao passar,

a alfombra que não existe.

E, quando surges,

todos os rios marulham

no meu corpo, os sinos

abalam o céu,

e um hino enche o mundo.

Apenas tu e eu,
apenas tu e eu, meu amor,

o escutamos.



in "Versos do Capitão" - Pablo Neruda

segunda-feira, janeiro 07, 2008

1 de Janeiro de 2008

Rafael

Em Hebreu, significa "Deus cura", Medicina de Deus.
Pessoa paciente e perseverante, que procura beneficiar os que precisam de ajuda. Mas, ao mesmo tempo, usa de todos os meios ao seu alcance para obter sucesso e prestígio.



[ 01.01.2008 ]
[ PauloTav ]


Infância



Sou pequeno

e penso em coisas grandes:
pomares e mais pomares,
jardins de flores e flores
e pelas montanhas e vales
grama verdinha e bosques,
com milhões de árvores
e asas de passarinhos.

Rios e mares de peixes
— aquários largos e livres
— ar dos campos e praias,
a manhã trazendo o dia
com o sol da esperança
e a noite de sonhos lindos,
nuvens calmas, lua e astros,
minhas mãos pegando estrelas
neste céu de doce infância.

E pelas estradas claras
meu cavalinho veloz
no galopar mais feliz:
— eu e ele sorrindo,
levando nosso cristal
para os meninos do mundo.


Cleonice Rainho





Bem-vindo!!!

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Natal


Poema de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.


António Gedeão

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Cruz















Autor anónimo...
...mas com bom discernimento! ;-)

domingo, dezembro 16, 2007

Filme #2

"Em Busca da Felicidade" (2006) - Gabriele Muccino


"Chris Gardner (Will Smith) é inteligente e talentoso mas não consegue encontrar um emprego que sustente a família. Sem conseguir suportar a pressão constante da falta de dinheiro, a mulher abandona-o e Chris fica sozinho com o filho de cinco anos. Pai solteiro, Chris continua a lutar por um emprego melhor mas acaba por aceitar um estágio não remunerado na esperança de vir a ser contratado no final por essa empresa promissora. No entanto, sem dinheiro, acaba por ser despejado do apartamento em que vive com o filho e os dois são obrigados a dormir em abrigos, estações de autocarros ou qualquer local que possa servir de refúgio para a noite. Mas, apesar de todos os problemas, Chris continua a ser um pai afectuoso e dedicado, encarando o amor do filho como a força necessária para ultrapassar todos os obstáculos." (in http://cinecartaz.publico.clix.pt)


Foi o último filme que vi, mas considero-o já como um dos melhores que já vi. A história baseada num caso verídico é extremamente envolvente e tem um final bastante comovente... sem no entanto ser piegas!
Filme a ver (e rever), de preferência com um pacotinho de lenços à mão...
Quem é que não está à procura da felicidade?



(Já agora... Quem souber o nome da música/compositor que consta do excerto do filme colocado neste post, que me diga qual é. Obrigado!)

Felicidade

"Amor-Perfeito em Lugar-Perfeito " 
Rui C. (2007)
Felicidade
Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor


Composição: Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Prece

"Mar Universal"
Rui C. 
(2007)

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa

domingo, dezembro 09, 2007

Filmes #1

Magnolia (1999) - Paul Thomas Anderson


Culpa... Arrependimento... Redenção... Amor!


"
L'amour est un oiseau rebelle
Que nul ne peut apprivoiser
Et c'est bien en vain qu'on l'appelle
C'est lui qu'on vient de nous refuser."

Carmen - Bizet



E o diálogo entre o moribundo Earl Partridge e o seu enfermeiro Phil Parma? Sublime. Mais ímportante que o reconhecer da importância do amor na vida de uma pessoa, é a capacidade de reconhecer culpas próprias e de pedir perdão... Redenção!


"- Tem namorada, Phil?
- Não.
- Arranje uma...
- Ando a tentar.
- E faça coisas boas com ela. Partilhe aquilo... o amor! Essa treta toda... afinal é verdade, sabia...? Procure uma mulher em condições e não a largue..."



Wise Up (Aimee Mann)

It's not.. what you thought...
When you first... began it.
You got... what you want...
Now you can hardly stand it, though,
By now you know, it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

You're sure... there's a cure...
And you have finally found it.
You think... one drink...
Will shrink you to... your underground
And living down, but it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

Prepare a list for what you need,
Before you sign away the deed,
'Cause it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

No, it's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
So just give up.


domingo, dezembro 02, 2007

Sobre o Tejo

"Crepúsculo na baía de Alcochete"
Rui C. (2007)


Que soldado tão triste esta chuva

sobre as sílabas escuras do outono

sobre o Tejo as últimas barcas

sobre as barcas uma luz de desterro.

Já foi lugar de amor o Tejo a boca
as mãos foram já fogo de abelhas
não era o corpo então dura e amarga
pedra do frio.


Sobre o Tejo cai a luz das fardas.

É tempo de te dizer adeus.


Eugénio de Andrade

As Janelas

"Uma beleza devastadora"
Rui C. (2007)


As janelas
por onde entram as silvas,
a púrpura pisada,
o aroma das tílias, a luz
em declínio,
fazem deste abandono
uma beleza devastadora
e sem contorno.


Eugénio de Andrade

Procuro-te

in www.olhares.com - Pedro Olivença


Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer

do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferença,
mas não quando se ama,
não quando se aperta contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre - procuro-te.


Eugénio de Andrade

segunda-feira, novembro 19, 2007

A Inegualável

"O Nascimento de Vénus" (1485) - Detalhe
Botticelli
A Inegualável

Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...

E tão febril e delicada
Que não pudesse dar um passo -
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...

Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas -
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...

Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata -
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...

.................................................
.................................................
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim -
Os teus espasmos, de seda...

- Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor por mim...


Mário de Sá-Carneiro
(1915)

quarta-feira, novembro 07, 2007

Sugestão #4

"SOLISTAS"
Coreografia de Né Barros


Balleteatro Auditório, Porto
Quinta, 08 Nov 2007

21h30


Foto: © Delfim Bessa




O termo
solistas como sabemos está muito associado à música e ao papel que determinado artista tem no seio de um agrupamento, de um conjunto. Solistas, vive então de um paradoxo de condição existencial: para ser só tem de estar acompanhado! Nestes “Solistas” que absorve e dá continuidade aos traços fundamentais da versão inicial de 2005, o destaque pela diferença, o exibicionismo, o esquisito, o exótico, a independência, enfim, as singularidades são modos de entender o solista. Neste trabalho, tiramos proveito desta relação sujeito-atributo, subjacente à noção de solista, que explorarmos através de matérias que prolongassem ou substituíssem partes do corpo. Os indivíduos em palco são construções da imagem-gesto ou imagem-acção de uma condição de solista e o DJ funciona como um maestro sem batuta desta ficção até ao final onde todos, envolvidos por um único invólucro, são indiferenciados nos seus papéis, são parte de um todo. (Né Barros)


Direcção e coreografia: Né Barros
DJ: Nuno Coelho
Desenho de luz: José Álvaro Correia
Espaço cénico e figurinos: Né Barros e Cláudia Santos
Interpretação: Carlos Silva, Gustavo Gomes, Jorge Gonçalves, Pedro Rosa
Produção: balleteatro companhia
A versão original de 2005 foi co-produzida pelo balleteatro companhia e Culturporto/Rivoli Teatro Municipal.


Balleteatro Auditório
Praça 9 de Abril, 76, Porto
T: 225508918
producao@balleteatro.pt
http://www.balleteatro.pt

terça-feira, novembro 06, 2007

Évora... uma nova aparição

Sé de Évora
(vista da Rua 5 de Outubro)


"A cidade resplandecia a um sol familiar, branca, enredada de ruas, como de velhas ciladas, semeada de ruínas , de arcos partidos, nichos de santos das orações de outras eras, janelas góticas, como olhares embiocados. Évora mortuária, encruzilhada de raças, ossuário dos séculos , e dos séculos, como te lembro, como me dóis!"
in "Aparição" - Vergílio Ferreira



Templo Romano
(visto do Jardim do Templo)

"Subo a rua que me leva à Sé, viro no largo do Templo de Diana. E, nas colunas solitárias ouço como o murmúrio antigo de uma floresta imóvel. O Zimbório da Sé brilha, dourado ao sol matinal. Fico a olhá-lo longo tempo, parado sob um arco que se lança sob a rua, suspenso de silêncio e de memória."
in "Aparição" - Vergílio Ferreira

Travessa Torta
(vista da Rua do Rhaimundo)


Évora... Cidade nostálgica!
Ou seria eu, que no reencontro com a cidade e com o passado, me tornei nostálgico por um par de dias...? Percorrer novamente aquelas ruas caiadas foi reviver um filme de que gostei e amei... foi relembrar as alegrias que fundaram sólidas amizades, as paixões efémeras, os tormentos dos exames, as amarguras que fizeram crescer... Há sempre uma história para contar, por cada pedra do chão, por cada beco, arcada ou esquina... E tanto que haveria para contar!
E a saudade enorme que, entalada dentro de mim, me subia aos olhos a cada passo e me toldava o olhar! Ah... Évora! Se me deixasses voltar a viver aqueles tempos, vivê-los-ia mil vezes!
Évora... Cidade bela e inesquecível, resplandecente como a Luz!Cidade feiticeira, que me seduz...


Praça do Giraldo
(vista da Igreja de Santo Antão)

Fotos: Rui C.
(Évora - Novembro 2007)

 
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